Blog PET

30.06.2026 | Mundo Pet

Por que meu pet está sem apetite?

Mudança de comportamento pode ser uma simples questão de hábito, mas também um sinal de que algo está errado

Apetite dos pets

O apetite é um indicador importante da saúde geral dos nossos animais de estimação. Um pet saudável geralmente demonstra entusiasmo na hora das refeições. Alterações no apetite, seja a diminuição (hiporexia) ou a perda total (anorexia), podem ser sinais de que algo não está bem e merecem atenção.¹ Entender as alterações no apetite do seu pet é o primeiro passo para identificar possíveis problemas.

Apetite seletivo ou falta de apetite?

É importante diferenciar um pet que é seletivo com a comida e um pet que realmente perdeu o apetite. Um pet seletivo pode recusar certos alimentos, mas ainda demonstra interesse por outros ou por petiscos. Já a falta de apetite é uma recusa generalizada em comer, mesmo os alimentos preferidos.² A seletividade pode ser um hábito, enquanto a perda de apetite pode indicar algum problema de saúde.

Possíveis causas da falta de apetite no seu pet

A perda de apetite em cães e gatos pode ter diversas causas, que vão desde fatores comportamentais e ambientais até problemas de saúde mais sérios.

1. Ansiedade de separação

Alguns pets desenvolvem forte ligação com seus tutores e podem ficar ansiosos quando deixados sozinhos. Essa ansiedade pode se manifestar de diversas formas, incluindo a perda de apetite durante a ausência do tutor.³

2. Depressão

Mudanças significativas na rotina, perda de um membro da família (humano ou animal) ou um ambiente pouco estimulante podem levar à tristeza e, consequentemente, à perda de apetite em pets.³

3. Pet doente

A falta de apetite é uma resposta do organismo comum de diversas doenças, desde problemas gastrointestinais, infecções e febre até doenças renais, hepáticas e câncer. Qualquer perda de apetite persistente deve ser investigada por um veterinário, ela não indica qual a causa, mas sim que algo está errado no organismo.¹

4. Pet não gosta da comida

Assim como nós, os pets podem ter preferências alimentares. Uma ração nova com sabor ou textura diferente pode não agradar ao paladar do seu animal.⁴

5. Mudança na alimentação

A transição repentina para um novo tipo de alimento pode causar desconforto gastrointestinal e levar à recusa alimentar. A mudança de ração deve ser feita de forma gradual, misturando a nova com a antiga ao longo de alguns dias.⁵

6. Clima muito quente

Em dias de calor intenso, é comum que os pets tenham menos apetite. Assim como nós, eles podem sentir menos fome quando a temperatura está elevada.

7. Pet estressado

Mudanças no ambiente (mudança de casa, chegada de um novo membro na família, barulhos excessivos), viagens ou rotinas irregulares podem causar estresse e afetar o apetite do seu pet.

8. Efeito de medicamentos

Alguns medicamentos podem ter como efeito colateral a perda de apetite. Se você iniciou algum tratamento para o seu pet, converse com o veterinário sobre possíveis efeitos na alimentação.⁴

Como estimular o apetite do cachorro? Dicas

Para ajudar um cachorro a recuperar o apetite, você pode tentar algumas estratégias (sempre com a orientação do veterinário, especialmente se houver suspeita de doença):

  •       Ofereça a comida em um ambiente tranquilo: Reduza as distrações durante a hora da refeição.
  •       Aqueça levemente a comida: O cheiro mais intenso pode tornar o alimento mais atraente.⁴
  •       Misture um pouco de alimento úmido (patê) à ração seca: A textura e o sabor podem ser mais palatáveis.⁴
  •       Adicione um caldo de frango ou carne caseiro (sem sal e temperos): O aroma pode estimular o apetite.⁴
  •       Ofereça pequenas porções com mais frequência: Em vez de uma ou duas grandes refeições, tente oferecer porções menores ao longo do dia.
  •       Incentive o exercício leve: A atividade física pode estimular o apetite.
  •       Use brinquedos interativos com petiscos: Isso pode despertar o interesse pela comida.
  •       Em casos de seletividade, tente variar os sabores e texturas (gradualmente e com orientação veterinária).
  •       Considere suplementos vitamínicos ou palatabilizantes (apenas sob orientação veterinária).

Gato sem comer

 

A falta de apetite em gatos é particularmente preocupante, pois pode levar rapidamente à lipidose hepática,⁶ uma condição grave. Além das dicas mencionadas para cães (adaptando as opções), algumas estratégias específicas para gatos incluem:

  •       Ofereça alimentos com cheiro forte: Sardinha ou atum em água (em pequenas quantidades e ocasionalmente) podem ser atrativos.
  •       Aqueça levemente a comida úmida: O cheiro se intensifica.
  •       Experimente diferentes texturas: Alguns gatos preferem patês, outros pedaços menores ou alimentos mais líquidos.⁷
  •       Ofereça a comida em locais elevados: Alguns gatos se sentem mais seguros e confortáveis para comer em lugares mais altos.⁷
  •       Use seringas para oferecer pequenas quantidades de alimento pastoso (apenas sob orientação veterinária em casos de recusa total).
  •       Considere palatabilizantes específicos para gatos (sob orientação veterinária).

Cachorro sem apetite

 

As dicas mencionadas anteriormente na seção “Como estimular o apetite do cachorro?” são as principais estratégias para ajudar cães a voltarem a comer. É fundamental observar se a falta de apetite é acompanhada de outros sintomas, como vômitos, diarreia, letargia ou dor, e procurar atendimento veterinário o mais rápido possível.⁴

A falta de apetite em pets pode ser um sinal de alerta para diversos problemas de saúde ou emocionais. Observar o comportamento do seu animal, distinguir entre seletividade e perda real de apetite e tentar estratégias para estimular a alimentação são passos importantes. No entanto, é crucial buscar a orientação de um médico veterinário para identificar a causa subjacente e garantir o tratamento adequado para o seu companheiro.


Referências:

  1. LANGHANS, W. Signals generating anorexia during acute illness. Proceedings of the Nutrition Society, v. 66, n. 3, p. 321–330, 2007.
  2. DELANEY, S. J. Management of anorexia in dogs and cats. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 36, n. 6, p. 1243–1249, 2006.
  3. LUÑO, I.; PALACIO, J.; GARCÍA-BELENGUER, S.; GONZÁLEZ-MARTÍNEZ, Á.; ROSADO, B. Emotional eating in companion dogs. Journal of Veterinary Behavior, v. 25, p. 1–6, 2018.
  4. JOHNSON, L. N.; FREEMAN, L. M. Recognizing, describing, and managing reduced food intake in dogs and cats. Journal of the American Veterinary Medical Association, Schaumburg, v. 251, n. 11, p. 1261–1265, 2017.
  5. FREEMAN, L. M.; BECVAROVA, I.; CAVE, N. J.; MACKAY, C.; NGUYEN, P.; RAMA, B.; TAKASHIMA, G. K.; TAPPENBECK, R.; WILLIS, S. WSAVA nutritional assessment guidelines. Journal of Feline Medicine and Surgery, v. 13, n. 7, p. 516–525, 2011.
  6. WALLACE, O. P.; JABLONSKI, S. A.; THOMAS, J. S.; BOCK III, J. H.; LANGLOIS, D. K. Association of time to start of enteral nutrition and outcome in cats with hepatic lipidosis. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 38, n. 2, p. 851–859, 2024.
  7. BUFFINGTON, C. A. T. External and internal influences on disease risk in cats. Journal of the American Veterinary Medical Association (JAVMA), Schaumburg, v. 220, n. 7, p. 994–1002, 1 abr. 2002.
CATEGORIAS DO BLOG
PESQUISAR
ASSINE NOSSA NEWSLETTER!

    Veja Também