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23.09.2026 | Mundo Equino

Conheça 9 plantas venenosas para o seu cavalo

Principais sinais de intoxicação por plantas

Os sinais de intoxicação por plantas em cavalos podem variar de acordo com a espécie vegetal, o princípio tóxico, a quantidade ingerida e o tempo de exposição. Algumas intoxicações provocam manifestações agudas, enquanto outras podem evoluir de forma gradual e comprometer órgãos como fígado, rins e coração¹, ².

Entre os sinais que podem ser observados estão:

  •  Cólicas
  • Diarreia
  • Perda de apetite
  • Salivação excessiva
  • Dificuldade para respirar
  • Tremores
  • Incoordenação motora
  • Convulsões
  • Alteração na frequência cardíaca
  • Depressão
  • Fotossensibilidade (sensibilidade à luz)
  • Lesões na pele ou mucosas
  • Fraqueza
  • Morte súbita (em casos graves)

9 plantas tóxicas aos cavalos

Plantas tóxicas podem estar presentes em pastagens, áreas de lazer, jardins, margens de estradas e até mesmo contaminar o feno. Por isso, conhecer as principais espécies e seus efeitos é uma importante medida de prevenção¹, ².

Flor das almas (Senecio spp.)

A flor-das-almas, também conhecida como erva-de-são-jacó ou tasneirinha, pertence ao gênero Senecio, que inclui espécies capazes de produzir alcaloides pirrolizidínicosEsses compostos podem provocar lesões hepáticas progressivas, especialmente após ingestão repetida¹, ³.

. Os sinais de intoxicação podem apresentar evolução lenta, aparecendo somente após semanas ou meses. Entre as manifestações estão perda de peso, apatia, icterícia, alterações comportamentais e fotossensibilidade. Em estágios avançados, pode ocorrer insuficiência hepática e morte³.

Samambaia (Pteridium aquilinum)

A samambaia, especialmente as folhas jovens, contém tiaminase, uma enzima que inativa a tiamina (vitamina B1). A ingestão prolongada leva à deficiência dessa vitamina essencial, causando problemas neurológicos conhecidos como “doença da samambaia” ou encefalomalacia. Os sintomas incluem incoordenação motora, andar cambaleante, tremores musculares, cegueira e, em casos graves, convulsões e morte. A planta é comum em áreas de pastagem sombreadas e úmidas², ⁴.

Mio-mio (Baccharis coridifolia)

O mio-mio é uma planta tóxica encontrada em diferentes regiões do Brasil e está entre as espécies associadas a intoxicações em equinos², ⁵. A planta contém compostos tóxicos produzidos por microrganismos associados à espécie vegetal. A intoxicação pode provocar alterações gastrointestinais, incluindo cólica, diarreia, perda de apetite, depressão e desidratação. Em quadros graves, a evolução pode ser rápida e resultar em morte⁵.

Cafezinho (Palicourea marcgravii)

O cafezinho é uma das plantas tóxicas de maior importância no Brasil e pode provocar intoxicação de evolução extremamente rápida¹, ⁶. A planta contém monofluoroacetato, composto que interfere no metabolismo energético celular e pode levar à insuficiência cardíaca. Em determinadas situações, a intoxicação pode provocar morte súbita, com poucos sinais observados antes da morte⁶. A presença da planta em áreas de pastejo representa um risco importante e exige identificação e controle adequados.

Pés de tomates e batatas (Solanum lycopersicum e Solanum tuberosum)

As partes verdes destas plantas, como folhas, caules e brotos, contêm solanina, um alcaloide tóxico. A ingestão pode causar problemas gastrointestinais, incluindo cólicas, diarreia e perda de apetite. Em casos mais graves, podem ocorrer sinais neurológicos como incoordenação, tremores e depressão. Os frutos maduros geralmente contêm níveis mais baixos de solanina, mas ainda devem ser evitados em grandes quantidades. Restos de colheita ou plantas descartadas podem ser acessíveis aos cavalos⁷.

Caruru-de-cacho (Amaranthus hybridus)

Algumas espécies de Amaranthus podem acumular nitratos, especialmente quando crescem em determinadas condições ambientais, como solos com elevada disponibilidade de nitrogênio. Após a ingestão, os nitratos podem ser convertidos em nitritos no trato digestivo. O excesso de nitrito interfere no transporte de oxigênio pelo sangue e pode provocar dificuldade respiratória, fraqueza, tremores e coloração azulada das mucosas. Em casos graves, a intoxicação pode resultar em morte. Plantas jovens e aquelas submetidas a condições de elevada adubação nitrogenada podem apresentar maior concentração de nitratos⁸.

Azaleia (Rhododendron spp.)

As azaleias pertencem ao gênero Rhododendron e contêm grayanotoxinas, compostos que interferem na atividade neuromuscular e cardiovascular. Em cavalos, a ingestão pode provocar salivação excessiva, diarreia, cólica, fraqueza, depressão, incoordenação, alterações da frequência cardíaca e, em casos graves, colapso cardiovascular e morte9. Como são plantas ornamentais utilizadas em jardins, é importante evitar que cavalos tenham acesso a áreas onde essas espécies estejam presentes.

Oleandro Rosa (Nerium oleander)

O oleandro, também conhecido como espirradeira, é uma planta ornamental de elevada toxicidade. Todas as partes da planta contêm glicosídeos cardíacos, como oleandrina, que interferem diretamente na função cardíaca. A ingestão pode causar sinais como cólica, diarreia, fraqueza, alterações do ritmo cardíaco, dificuldade respiratória e tremores. Em casos graves, a intoxicação pode resultar em colapso cardiovascular e morte. Um risco importante ocorre quando galhos ou folhas provenientes de podas são descartados em locais onde os cavalos conseguem alcançá-los¹⁰.

Camará, camará-de-cheiro, cambará-vermelho (Lantana camara)

O camará contém compostos capazes de causar lesões hepáticas e fotossensibilização. A intoxicação está relacionada principalmente à ingestão da planta em determinadas condições e quantidades. Os sinais podem incluir perda de apetite, depressão, icterícia e fotossensibilidade, que podem provocar inflamação e lesões em áreas da pele mais expostas à luz solar. Em casos mais graves, o comprometimento hepático pode evoluir para insuficiência do fígado. A espécie pode ocorrer em áreas de pastagem e outras áreas abertas, exigindo atenção ao manejo da vegetação¹¹.

 

O que fazer em caso de intoxicação por plantas em cavalos?

Em caso de suspeita de intoxicação, a avaliação veterinária deve ser realizada o mais rapidamente possível. Algumas intoxicações apresentam evolução rápida e podem causar alterações graves antes que sinais evidentes sejam percebidos¹, ².

As principais medidas são:

  1. Retire o cavalo da área onde houve suspeita de ingestão da planta.
  2. Entre em contato com um médico veterinário o mais rápido possível.
  3. Se possível, fotografe ou identifique a planta suspeita para auxiliar na investigação.
  4. Informe ao veterinário o horário aproximado da ingestão, a quantidade possivelmente consumida e qualquer sinal observado.
  5. Não administre medicamentos ou outras substâncias por conta própria.

É importante destacar que cavalos não conseguem vomitar devido às características anatômicas do esfíncter gastroesofágico. Portanto, a indução de vômito não é uma opção de tratamento para essa espécie¹².

O que mais pode intoxicar um cavalo?

Além das plantas, outras substâncias presentes no ambiente ou na alimentação também podem provocar intoxicações em equinos², ¹³:

  • Medicamentos: doses inadequadas ou administração incorreta podem causar efeitos tóxicos.
  • Pesticidas e herbicidas: a exposição ou ingestão acidental pode provocar intoxicações de diferentes gravidades.
  • Metais pesados: substâncias como chumbo podem causar alterações neurológicas e gastrointestinais.
  • Micotoxinas: produzidas por fungos, podem estar presentes em alimentos armazenados de maneira inadequada.
  • Alimentos inadequados ou em excesso: alterações bruscas na alimentação e o consumo excessivo de determinados alimentos podem provocar distúrbios digestivos e metabólicos.

A prevenção depende principalmente do manejo adequado das pastagens, da identificação e remoção de plantas tóxicas, da inspeção do feno e do armazenamento correto de alimentos e produtos químicos¹, ².


Referências:

  1. RIET-CORREA, F.; SOARES, M. P.; MÉNDEZ, M. C. Intoxicações em eqüinos no Brasil. Ciência Rural, Santa Maria, v. 28, n. 4, p. 715-722, 1998.
  2. CALONI, F.; CORTINOVIS, C. Plants poisonous to horses in Europe. Equine Veterinary Education, v. 27, n. 5, p. 269-274, 2015.
  3. TOKARNIA, C. H.; BRITO, M. F.; BARBOSA, J. D.; PEIXOTO, P. V.; DÖBEREINER, J. Plantas tóxicas do Brasil para animais de produção. 2. ed. Rio de Janeiro: Helianthus, 2012.
  4. FERNANDES, W. R.; GARCIA, R. C. M.; MEDEIROS, R. M. A.; BIRGEL, E. H. ntoxicação experimental de equinos por Pteridium aquilinum. Arquivos da Escola de Medicina Veterinaria da Universidade Federal da Bahia, v. 13, n. 1, p. 112-24, 1990.
  5. ASSIS, T. S.; MEDEIROS, R. M.; ARAÚJO, J. A. S. D.; DANTAS, A. F.; RIET-CORREA, F. Intoxicações por plantas em ruminantes e equídeos no Sertão Paraibano. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 29, n. 11, p. 919-924, 2009.
  6. BRIGHENTI, A. M.; SANTOS, A. M. B.; OLIVEIRA, P. S.; OLIVEIRA, V. M.; GUIMARÃES, A. C. D.; LUBIAN, G. S. Plantas daninhas tóxicas em pastagens. In: MARCHI, S. R.; MARTINS, D. Matologia de pastagens. Jaboticabal: Funep, 2024. cap. 10, p. 251-323.
  7. NORMAN, T. E.; CHAFFIN, M. K.; NORTON, P. L.; COLEMAN, M. C.; STOUGHTON, W. B.; MAYS, T. Concurrent ivermectin and Solanum spp. toxicosis in a herd of horses. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 26, n. 6, p. 1439-1442, 2012.
  8. ORUÇ, H. H.; AKKOÇ, A.; UZUNOĞLU, I.; KENNERMANN, E. Nitrate poisoning in horses associated with ingestion of forage and alfalfa. Journal of Equine Veterinary Science, v. 30, n. 3, p. 159-162, 2010.
  9. ROMANO, M. C. Toxic Garden and Landscaping Plants. Veterinary Clinics: Equine Practice, v. 40, n. 1, p. 61-76, 2024.
  10. SCHORTINGHOUSE, A.; SELLERS, B. Common Toxic Plants for Florida Horse Owners: VM247/VM247, 1/2023. EDIS, v. 2023, n. 1, 2023.
  11. SANTOS, J. C. A.; RIET-CORREA, F.; SIMÕES, S. V.; BARROS, C. S. Patogênese, sinais clínicos e patologia das doenças causadas por plantas hepatotóxicas em ruminantes e eqüinos no Brasil. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 28, n. 1, p. 1-14, 2008.
  12. LANDOLT, G. A. Management of equine poisoning and envenomation. Veterinary Clinics of North America: Equine Practice, v. 23, n. 1, p. 31-47, 2007.
  13. RIET-CORREA, F.; MICHELOUD, J. F.; MACHADO, M.; MENDONÇA, F. S.; SCHILD, A. L.; UZAL, F. A.; LEMOS, R. A. A. Toxic plants affecting livestock in South America: review of epidemiology, diagnosis, control, economic impact and implications to human health. Toxicon, p. 108999, 2026.
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