Os sinais de intoxicação por plantas em cavalos podem variar de acordo com a espécie vegetal, o princípio tóxico, a quantidade ingerida e o tempo de exposição. Algumas intoxicações provocam manifestações agudas, enquanto outras podem evoluir de forma gradual e comprometer órgãos como fígado, rins e coração¹, ².
Entre os sinais que podem ser observados estão:
Plantas tóxicas podem estar presentes em pastagens, áreas de lazer, jardins, margens de estradas e até mesmo contaminar o feno. Por isso, conhecer as principais espécies e seus efeitos é uma importante medida de prevenção¹, ².
A flor-das-almas, também conhecida como erva-de-são-jacó ou tasneirinha, pertence ao gênero Senecio, que inclui espécies capazes de produzir alcaloides pirrolizidínicosEsses compostos podem provocar lesões hepáticas progressivas, especialmente após ingestão repetida¹, ³.
. Os sinais de intoxicação podem apresentar evolução lenta, aparecendo somente após semanas ou meses. Entre as manifestações estão perda de peso, apatia, icterícia, alterações comportamentais e fotossensibilidade. Em estágios avançados, pode ocorrer insuficiência hepática e morte³.
A samambaia, especialmente as folhas jovens, contém tiaminase, uma enzima que inativa a tiamina (vitamina B1). A ingestão prolongada leva à deficiência dessa vitamina essencial, causando problemas neurológicos conhecidos como “doença da samambaia” ou encefalomalacia. Os sintomas incluem incoordenação motora, andar cambaleante, tremores musculares, cegueira e, em casos graves, convulsões e morte. A planta é comum em áreas de pastagem sombreadas e úmidas², ⁴.
O mio-mio é uma planta tóxica encontrada em diferentes regiões do Brasil e está entre as espécies associadas a intoxicações em equinos², ⁵. A planta contém compostos tóxicos produzidos por microrganismos associados à espécie vegetal. A intoxicação pode provocar alterações gastrointestinais, incluindo cólica, diarreia, perda de apetite, depressão e desidratação. Em quadros graves, a evolução pode ser rápida e resultar em morte⁵.
O cafezinho é uma das plantas tóxicas de maior importância no Brasil e pode provocar intoxicação de evolução extremamente rápida¹, ⁶. A planta contém monofluoroacetato, composto que interfere no metabolismo energético celular e pode levar à insuficiência cardíaca. Em determinadas situações, a intoxicação pode provocar morte súbita, com poucos sinais observados antes da morte⁶. A presença da planta em áreas de pastejo representa um risco importante e exige identificação e controle adequados.
As partes verdes destas plantas, como folhas, caules e brotos, contêm solanina, um alcaloide tóxico. A ingestão pode causar problemas gastrointestinais, incluindo cólicas, diarreia e perda de apetite. Em casos mais graves, podem ocorrer sinais neurológicos como incoordenação, tremores e depressão. Os frutos maduros geralmente contêm níveis mais baixos de solanina, mas ainda devem ser evitados em grandes quantidades. Restos de colheita ou plantas descartadas podem ser acessíveis aos cavalos⁷.
Algumas espécies de Amaranthus podem acumular nitratos, especialmente quando crescem em determinadas condições ambientais, como solos com elevada disponibilidade de nitrogênio. Após a ingestão, os nitratos podem ser convertidos em nitritos no trato digestivo. O excesso de nitrito interfere no transporte de oxigênio pelo sangue e pode provocar dificuldade respiratória, fraqueza, tremores e coloração azulada das mucosas. Em casos graves, a intoxicação pode resultar em morte. Plantas jovens e aquelas submetidas a condições de elevada adubação nitrogenada podem apresentar maior concentração de nitratos⁸.
As azaleias pertencem ao gênero Rhododendron e contêm grayanotoxinas, compostos que interferem na atividade neuromuscular e cardiovascular. Em cavalos, a ingestão pode provocar salivação excessiva, diarreia, cólica, fraqueza, depressão, incoordenação, alterações da frequência cardíaca e, em casos graves, colapso cardiovascular e morte9. Como são plantas ornamentais utilizadas em jardins, é importante evitar que cavalos tenham acesso a áreas onde essas espécies estejam presentes.
O oleandro, também conhecido como espirradeira, é uma planta ornamental de elevada toxicidade. Todas as partes da planta contêm glicosídeos cardíacos, como oleandrina, que interferem diretamente na função cardíaca. A ingestão pode causar sinais como cólica, diarreia, fraqueza, alterações do ritmo cardíaco, dificuldade respiratória e tremores. Em casos graves, a intoxicação pode resultar em colapso cardiovascular e morte. Um risco importante ocorre quando galhos ou folhas provenientes de podas são descartados em locais onde os cavalos conseguem alcançá-los¹⁰.
O camará contém compostos capazes de causar lesões hepáticas e fotossensibilização. A intoxicação está relacionada principalmente à ingestão da planta em determinadas condições e quantidades. Os sinais podem incluir perda de apetite, depressão, icterícia e fotossensibilidade, que podem provocar inflamação e lesões em áreas da pele mais expostas à luz solar. Em casos mais graves, o comprometimento hepático pode evoluir para insuficiência do fígado. A espécie pode ocorrer em áreas de pastagem e outras áreas abertas, exigindo atenção ao manejo da vegetação¹¹.
Em caso de suspeita de intoxicação, a avaliação veterinária deve ser realizada o mais rapidamente possível. Algumas intoxicações apresentam evolução rápida e podem causar alterações graves antes que sinais evidentes sejam percebidos¹, ².
As principais medidas são:
É importante destacar que cavalos não conseguem vomitar devido às características anatômicas do esfíncter gastroesofágico. Portanto, a indução de vômito não é uma opção de tratamento para essa espécie¹².
Além das plantas, outras substâncias presentes no ambiente ou na alimentação também podem provocar intoxicações em equinos², ¹³:
A prevenção depende principalmente do manejo adequado das pastagens, da identificação e remoção de plantas tóxicas, da inspeção do feno e do armazenamento correto de alimentos e produtos químicos¹, ².
Referências: