Blog PET

20.09.2026 | Cuidados

Doença do carrapato em cães: sintomas, tratamento e prevenção

Encontrar um carrapato no nosso cão é sempre um alerta. Mais do que um incômodo, esse pequeno parasita pode ser o transmissor de doenças graves que, se não identificadas a tempo, colocam a vida do nosso amigo em risco. A chamada “doença do carrapato” é uma das principais preocupações dos tutores no Brasil.

Entender seus sinais, como agir e, o mais importante, como prevenir, é o melhor caminho para garantir a saúde e a tranquilidade do seu companheiro. Pensando nisso, preparamos este guia completo para tirar todas as suas dúvidas e ajudá-lo a proteger seu pet.

O que é a doença do carrapato?

A “doença do carrapato” não é uma única enfermidade, mas sim um termo popular usado para descrever um grupo de doenças infecciosas causadas por agentes (bactérias e protozoários) que são transmitidos pela picada de carrapatos infectados.

Principais tipos: erliquiose, babesiose e anaplasmose

Embora existam várias, as três mais comuns e conhecidas no Brasil são:

  •       Erliquiose (Ehrlichiose): Causada pela bactéria Ehrlichia canis, é a mais famosa delas. Ataca principalmente as células de defesa (glóbulos brancos), comprometendo o sistema imunológico do cão¹,².
  •       Babesiose: Causada pelo protozoário Babesia canis, age destruindo os glóbulos vermelhos do sangue, o que leva a um quadro de anemia grave³.
  •       Anaplasmose: Causada por uma bactéria do gênero Anaplasma, afeta as plaquetas (células de coagulação), podendo causar sangramentos².

É possível, inclusive, que o cão seja infectado por mais de um desses agentes ao mesmo tempo, o que é chamado de coinfecção¹,³.

Como os carrapatos transmitem a doença?

A transmissão ocorre quando um carrapato infectado pica o cachorro para se alimentar de seu sangue. Durante esse processo, ele libera os agentes infecciosos na corrente sanguínea do animal. O carrapato mais comum em áreas urbanas e principal vetor no Brasil é o Rhipicephalus sanguineus, conhecido como carrapato marrom do cão²,³.

Sintomas iniciais da doença do carrapato em cachorro

labrador branco com expressão triste deitado no chão

A fase inicial da doença pode ser sutil e os sinais podem ser confundidos com um mal-estar passageiro. Por isso, a atenção do tutor é fundamental.

  •       Febre e apatia: O cão fica mais quieto, “tristonho”, sem vontade de brincar e pode apresentar febre¹,²,³.
  •       Perda de apetite e emagrecimento: A falta de interesse pela comida é um dos primeiros sinais e, consequentemente, o cão começa a perder peso¹,²,³.
  •       Gengivas e mucosas pálidas ou amareladas: A palidez indica anemia (comum na babesiose), enquanto o tom amarelado (icterícia) pode sinalizar problemas no fígado.
  •       Sons respiratórios, tosse e secreções: Dificuldade para respirar, tosse e secreções nasais ou oculares também podem ocorrer².

Sintomas avançados e complicações

Se a doença não for tratada na fase inicial, ela pode evoluir para um quadro crônico e muito mais grave, com sintomas como:

  •       Sangramentos: Podem ocorrer sangramentos espontâneos pelo nariz (epistaxe), nas gengivas, na urina ou fezes, devido à queda no número de plaquetas¹,²,³.
  •       Edema de membros e inchaço abdominal: Acúmulo de líquido nas patas (edema) ou no abdômen (ascite).
  •       Problemas articulares e dificuldade para andar: Dor nas articulações, relutância em se mover e fraqueza nas patas¹.
  •       Icterícia e insuficiência hepática/renal: A pele e as mucosas ficam amareladas, e os rins e o fígado podem parar de funcionar corretamente.
  •       Sintomas neurológicos: Em casos gravíssimos, a doença pode afetar o sistema nervoso central, causando convulsões, desorientação, falta de coordenação e até cegueira¹,².

Como confirmar o diagnóstico?

Ao notar qualquer um dos sintomas, a única atitude correta é levar o cão imediatamente ao médico-veterinário. Apenas ele poderá confirmar o diagnóstico.

  •       Exames clínicos e hemograma: O veterinário fará uma avaliação clínica completa e solicitará um hemograma (exame de sangue), que pode mostrar alterações importantes como anemia, queda de plaquetas e de glóbulos brancos¹,²,³.
  •       Testes específicos: PCR e sorologia: Para identificar o agente causador exato, são necessários testes mais específicos. A sorologia busca por anticorpos no sangue, enquanto o teste de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) detecta o material genético do parasita, sendo considerado de alta precisão¹,²,³.

Tratamento da doença do carrapato

O tratamento deve ser prescrito e acompanhado por um médico-veterinário. Tentar medicar o cão por conta própria é perigoso e pode agravar o quadro.

  •       Antibióticos: São a base do tratamento para eliminar os agentes infecciosos. O tipo de medicamento e a duração do tratamento variam conforme a doença (erliquiose, babesiose, etc.)¹,²,³.
  •       Suporte com fluidoterapia e transfusão de sangue: Em casos de desidratação e anemia grave, é necessário internamento para aplicação de soro na veia (fluidoterapia) ou até mesmo uma transfusão de sangue para salvar a vida do animal².
  •       Uso de antiparasitários para eliminar carrapatos: É fundamental eliminar os carrapatos presentes no cão para evitar a reinfestação e a propagação da doença².

Prevenção e controle

Prevenir é sempre a melhor, mais segura e mais barata solução.

  •       Produtos para prevenção: Utilize regularmente produtos antiparasitários recomendados pelo seu veterinário. Existem diversas opções eficazes, como coleiras, pipetas (spot-on) e comprimidos mastigáveis.
  •       Inspeção regular após passeios: Sempre que voltar de passeios, especialmente em locais com grama e mato, inspecione o corpo todo do seu cão. Verifique entre os dedos, dentro das orelhas, no pescoço e próximo à cauda.
  •       Manutenção do ambiente livre de carrapatos: O controle ambiental é crucial. Mantenha quintais e canis sempre limpos e, se necessário, utilize produtos específicos para dedetizar o ambiente, seguindo as orientações de um profissional.

Doença do carrapato tem cura e qual o prognóstico?

Sim, a doença do carrapato tem cura. O prognóstico (a previsão de como a doença vai evoluir) é muito favorável quando o diagnóstico é feito precocemente e o tratamento é iniciado logo na fase aguda. Nesses casos, a maioria dos cães se recupera completamente¹.

No entanto, em quadros crônicos ou quando o diagnóstico é tardio, as chances de recuperação diminuem e o animal pode ficar com sequelas graves ou até mesmo vir a óbito¹.

Perguntas frequentes (FAQ)

Doença do carrapato em cães é contagiosa para humanos?

As doenças mais comuns (erliquiose, babesiose) não são transmitidas diretamente do cão para o ser humano. No entanto, o carrapato infectado pode picar uma pessoa e transmitir outras doenças, como a febre maculosa. Por isso, o controle do parasita é uma questão de saúde para toda a família²,⁴.

Quanto tempo leva para aparecerem os sintomas?

O período de incubação varia, mas geralmente os primeiros sintomas aparecem de 1 a 3 semanas após a picada do carrapato infectado⁵.

Há vacinas disponíveis no Brasil?

Atualmente, não existe uma vacina comercialmente disponível no Brasil que proteja contra os principais tipos de doença do carrapato, como a erliquiose. A prevenção com produtos antiparasitários é a única forma de proteção.

O que o tutor deve fazer ao desconfiar da doença?

Procurar um médico-veterinário imediatamente. Não espere os sintomas piorarem e nunca medique seu cão por conta própria. A agilidade no diagnóstico é o fator mais importante para o sucesso do tratamento.

Conclusão

 

filhote de labrador deitado no chão branco

A melhor forma de prevenir a erliquiose é a prevenção do carrapato.

A doença do carrapato é séria, mas com informação e cuidado, podemos proteger nossos cães. A prevenção contínua com antiparasitários e a atenção aos primeiros sinais são as ferramentas mais poderosas que um tutor tem em mãos.

Lembre-se de que o médico-veterinário é seu principal parceiro na jornada de cuidado com a saúde do seu pet. Ao manter as consultas e a prevenção em dia, você garante que seu amigo de quatro patas permaneça seguro, saudável e pronto para compartilhar muitos outros momentos felizes ao seu lado.


Referências:

  1. HARRUS, S.; WANER, T. Diagnosis of canine monocytotropic ehrlichiosis (Ehrlichia canis): An overview. The Veterinary Journal, v. 187, p. 292–296, 2011.
  2. DINIZ, P. P. V. P.; MOURA DE AGUIAR, D. Ehrlichiosis and Anaplasmosis: An Update. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 52, n. 6, p. 1225–1266, 2022.
  3. DANTAS-TORRES, F.; FIGUEREDO, L. A. Canine babesiosis: A Brazilian perspective. Veterinary Parasitology, v. 141, n. 3–4, p. 197–203, 2006.
  4. FORTES, F. S.; BIONDO, A. W.; MOLENTO, M. B. Febre maculosa brasileira em cães. Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 32, n. 1, p. 339-354, jan./mar. 2011.
  5. SOUSA, V. R. F.; ALMEIDA, A. B. P. F.; BARROS, L. A.; SALES, K. G.; JUSTINO, C. H. S.; DALCIN, L.; BOMFIM, T. C. B. Avaliação clínica e molecular de cães com erliquiose. Ciência Rural, v. 40, p. 1309-1313, 2010.
CATEGORIAS DO BLOG
PESQUISAR
ASSINE NOSSA NEWSLETTER!

    Veja Também