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10.08.2026 | Cuidados

Quanto tempo seu pet pode ficar sozinho em casa?

Ter uma rotina corrida, muitas vezes, faz com que deixemos nossos pets sozinhos em casa. Mas será que esse hábito é saudável para eles?

 

Para alguns, deixar o seu pet sozinho pode ser um desafio. Por isso, trouxemos algumas dicas e informações que podem te auxiliar nesse processo.

Pets sozinhos em casa

Deixar nossos amigos de quatro patas sozinhos em casa é uma realidade para muitos tutores, seja por algumas horas de trabalho, compromissos ou outras necessidades. No entanto, é natural que surjam dúvidas sobre o tempo seguro e as melhores práticas para garantir o bem-estar deles durante nossa ausência. Cada pet tem sua individualidade e lida com a solidão de maneiras diferentes, por isso, entender suas necessidades e adaptar o ambiente é crucial para minimizar o estresse e garantir sua segurança.

Cachorros sozinhos em casa

Os cachorros são animais sociais e, para muitos deles, a ausência do tutor pode gerar ansiedade. O tempo que um cachorro pode ficar sozinho varia muito dependendo da idade, nível de atividade, temperamento, ambiente e treinamento. Filhotes e cães idosos geralmente precisam de mais atenção e não devem ser deixados sozinhos por longos períodos. Cães adultos, com treinamento adequado e um ambiente enriquecido, podem tolerar algumas horas de solidão. No entanto, longos períodos de isolamento podem levar a comportamentos destrutivos, latidos excessivos e sinais de angústia.

Gatos sozinhos em casa

Os gatos são geralmente mais independentes que os cães e costumam lidar melhor com a solidão. Eles apreciam seus momentos de descanso e podem se entreter sozinhos com brinquedos e explorando o ambiente.¹ No entanto, isso não significa que possam ser deixados sozinhos por tempo indeterminado. Gatos também precisam de interação, alimentação adequada, água fresca e um ambiente limpo. Longas ausências podem levar a estresse, mudanças de comportamento e até problemas de saúde.²

Qual o tempo máximo que um pet pode ficar sozinho?

Guidelines de bem-estar animal, não estabelecem um número fixo de horas que um animal pode permanecer sozinho. Em vez disso, orientam que o manejo deve garantir que o animal esteja livre de fome e sede, desconforto, dor ou doença, medo e estresse, além de possibilitar a expressão de comportamentos naturais.³

Nesse contexto, o tempo que um pet pode permanecer sozinho não é um valor absoluto, mas deve ser determinado com base na avaliação das necessidades individuais do animal, do ambiente e da rotina, assegurando que sua condição de bem-estar não seja comprometida.

É crucial observar o comportamento do seu pet ao retornar para identificar sinais de estresse ou ansiedade, como vocalização excessiva, destruição de objetos ou alterações nos hábitos de higiene. ⁴

Por que alguns pets não gostam de ficar sozinhos?

A aversão à solidão pode ter diversas causas, especialmente em cães:

  • Natureza social: Cães são animais de matilha e têm uma forte necessidade de companhia.⁴
  • Ansiedade de separação: Uma condição comportamental caracterizada por angústia intensa quando o tutor se ausenta.⁴,⁵
  • Falta de adaptação: Não ter sido gradualmente acostumado a ficar sozinho desde filhote.
  • Rotinas inconsistentes: Horários irregulares de saída e chegada podem aumentar a ansiedade.
  • Associação da saída do tutor com eventos negativos: Como a ausência de comida ou a sensação de abandono.

Nos gatos, embora a independência seja uma característica, alguns também podem desenvolver apego intenso aos tutores e sentir a falta de companhia.⁶

O que o cachorro sente quando fica sozinho em casa?

Para um cachorro que não lida bem com a solidão, o tempo sozinho em casa pode ser uma experiência angustiante. Eles podem sentir:

  • Ansiedade e medo: Uma sensação de perigo iminente.⁷
  • Frustração e tédio: A falta de atividades e interação pode levar ao estresse.²
  • Solidão: A ausência da figura de apego pode gerar tristeza e sensação de abandono.⁷
  • Hipervigilância: Ficar em constante estado de alerta a qualquer ruído ou sinal da chegada do tutor.⁴,⁵

Esses sentimentos podem se manifestar através de comportamentos como latidos e uivos excessivos, destruição de móveis e objetos, tentativas de fuga e alterações nos hábitos de higiene.⁴,⁵

 

5 cuidados essenciais ao deixar seu pet sozinho em casa

Independentemente de ser um cão ou um gato, alguns cuidados são fundamentais para garantir o bem-estar e a segurança do seu pet durante sua ausência:

  1. Enriquecer o ambiente

Um ambiente enriquecido é crucial para evitar o tédio e a ansiedade. Ofereça brinquedos interativos que dispensam petiscos, ossos para roer (seguros e apropriados para o porte), e brinquedos que ele possa jogar sozinho. Considere esconder petiscos pela casa para estimular a busca.⁸

Para os gatos, disponibilize arranhadores, prateleiras para escalar, brinquedos que simulem presas (bolinhas, ratinhos), e caixas de papelão para explorar.⁹

A rotação dos brinquedos ajuda a manter o interesse do pet.

  1. Oferecer um espaço tranquilo e seguro

Ambos os pets precisam de um local onde se sintam seguros e possam descansar sem interrupções. Para cães, uma caminha confortável em um local calmo da casa pode ser o refúgio ideal.

Já os gatos, eles apreciam locais elevados e escondidos. Prateleiras, nichos e caixas podem proporcionar essa sensação de segurança.¹⁰

Certifique-se de que não haja objetos perigosos ao alcance dos pets.

  1. Disponibilizar água e ração

Acesso constante a água fresca e limpa é essencial. Quanto à ração, a quantidade deve ser adequada para o período de ausência, levando em consideração a rotina alimentar do pet. Para ausências mais longas, considere alimentadores automáticos.

  1. Garantir que os pets possam fazer as necessidades

As necessidades fisiológicas variam entre cães e gatos. Para os cães, antes de sair, leve seu cão para passear para que ele possa fazer suas necessidades. Para ausências mais longas, alguns tutores utilizam tapetes higiênicos, mas o ideal é que não precisem segurar por muito tempo.

Para os gatos, certifique-se de que a caixa de areia esteja limpa e acessível. O número de caixas deve ser adequado ao número de gatos na casa (o ideal é uma caixa por gato mais uma extra).¹¹

  1. Dar carinho e atenção (antes e depois da ausência)

Embora este tópico fale sobre o período em que o pet está sozinho, é importante ressaltar a importância da interação de qualidade antes de sair e ao retornar. Brinque, converse e demonstre afeto ao seu pet. Isso ajuda a fortalecer o vínculo e a reduzir a ansiedade associada à sua ausência.²

Deixar nossos pets sozinhos em casa exige planejamento e cuidado para garantir seu bem-estar físico e emocional. Entender as necessidades individuais de cada animal, enriquecer o ambiente, oferecer segurança e recursos essenciais são passos importantes. Observar o comportamento do seu pet e, em caso de sinais de ansiedade de separação, buscar orientação de um veterinário ou comportamentalista é fundamental para proporcionar uma vida feliz e equilibrada ao seu companheiro.


Referências:

  1. ERIKSSON, M.; KEELING, L. J.; REHN, T. Cats and owners interact more with each other after a longer duration of separation. PLOS ONE, v. 12, n. 10, e0185599, 2017.
  2. VITALE, K. R.; BEHNKE, A. C.; UDELL, M. A. R. Attachment bonds between domestic cats and humans. Current Biology, v. 29, n. 18, p. R864–R865, 2019.
  3. Farm Animal Welfare Council. Report on priorities for animal welfare. London: Farm Animal Welfare Council, 1992.
  4. SHERMAN, B. L. Separation Anxiety in Dogs. North Carolina State University. Compendium on Continuing Education for the Practicing Veterinarian, v. 30, n. 1, p. 28–31, 2008.
  5. APPLEBY, D.; PLUIJMAKERS, J. Separation anxiety in dogs: the function of homeostasis in its development and treatment. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 33, p. 321–344, 2003.
  6. SCHWARTZ, S. Separation anxiety syndrome in cats. Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 220, n. 7, p. 1028–1033, 2002.
  7. SARGISSON, R. J. Canine separation anxiety: strategies for treatment and management. Veterinary Medicine: Research and Reports, [S.l.], v. 11, p. 143–151, 2020.
  8. SCHIPPER, L. L.; VINKE, C. M.; SCHILDER, M. B. H.; SPRUIJT, B. M. The effect of feeding enrichment toys on the behaviour of kennelled dogs (Canis familiaris). Applied Animal Behaviour Science, v. 114, n. 1–2, p. 182–195, 2008.
  9. MACHADO, D. S.; OLIVEIRA, P. M. B.; MACHADO, J. C.; CEBALLOS, M. C.; SANT’ANNA, A. C. Identification of separation-related problems in domestic cats: a questionnaire survey. PLOS ONE, v. 15, n. 4, e0230999, 2020.
  10. ROCHLITZ, I. Housing and welfare. In: ROCHLITZ, I. (Ed.). The Welfare of Cats. Dordrecht: Springer, 2007. p. 177–203.
  11. BORCHELT, P. L. Cat elimination behavior problems. Advances in Companion Animal Behavior, v. 21, n. 2, p. 1–?, mar. 1991.
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